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Nov 12

 

Neste segundo volume, Dan Simmons retoma as circunstâncias misteriosas da descida de Charles Dickens à Londres subterrânea, e entrelaça tais eventos com a criação da misteriosa personagem de Edwin Drood, tal como contada pelos olhos do grande amigo de Dickens, o romancista Wilkie Collins. Como em "O Terror", o primeiro volume parece compor os pilares da narrativa, as suas circunstâncias, enfim, dispor os elementos do enredo em preparação do grande desfecho, enquanto o segundo volume precipita todos os acontecimentos, faz cair sobre as personagens as consequências dos seus actos e opções. O que, se pensarmos bem, é uma opção inteligente, porque livra o leitor daquela tão frequente sensação de estar a ler o mesmo e interminável livro. Wilkie Collins é desta vez a personagem principal, muito mais que um narrador das suas desventuras como atrelado subserviente de Dickens, de resto um papel do qual ele se ressente profundamente. Consequentemente, a sua inveja e desdém por Dickens é aqui muito mais vincada à medida que o próprio Wilkie embarca sozinho nas suas próprias aventuras e entra numa espiral descendente com o vício do ópio. Dir-se-ia que a sua mesquinhez e egoísmo se realçam ao ponto de o tornarem uma personagem pela qual é extremamente difícil nutrir empatia, as suas falhas de carácter tornando-se o (...)
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publicado por saidaemergencia às 15:18

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