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Out 11

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Concebido por David Soares o livro é uma meditação sobre a República, preparado a propósito do centenário da sua implantação. Ao longo de vários episódios um pai-narrador propõe-se transmitir a um filho ausente enamorado com o Estado Novo uma espécie de legado: a memória desiludida de como o desejo de liberdade na República originou o conforto da opressão salazarista. É de noite que faço as perguntas é uma livro interessante logo aí, por não se deter no tom celebratório, mas na amargura que compõe o reverso da medalha. Nas efemérides o contraponto é sempre útil, mesmo que tão parcial quanto o ponto, e, desse ponto de vista, é pena que o livro não tenha saído antes.

O tom meditativo usado nesta banda desenhada parece aplicar-se a qualquer outra revolução que não tenha cumprido integralmente ideais, ou seja todas. Para muitos leitores pode ser mesmo inevitável senti-la enquanto elegia ao 25 de Abril, atrasada no tempo. Mas também podia ser sobre a Revolução Francesa, ou a Americana, ou... O facto de no livro a mensagem não passar, e o legado se revelar inútil, pode representar isso mesmo.

É de noite que faço as perguntas divide-se em episódios confiados a distintos desenhadores. Os temas abordados vão do regicídio à nomeação de Oliveira Salazar para a pasta das finanças, passando por toda a turbulência intermédia que (...)

Para seguir no blogue do Jornal de Letras.

publicado por saidaemergencia às 10:34

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