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Set 11

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É uma memória indelével. Criança, no banco de trás do carro, em viagem para a Figueira da Foz. Às tantas, horas de viagem volvidas (e revolvidas), surgia, como se do nada, ao fundo de uma estrada recta e estreita a descer a visão monumental do Mosteiro da Batalha. Curiosamente, há bem pouco tempo visão similar testemunhei ao descobrir, nos mesmos termos (embora noutro termo), o abandonado e arruinado mosteiro de Seiça. Pois bem, atrás, à Batalha de novo para chegar ao mais recente romance de David Soares, justamente «Batalha» intitulado. E isso para relembrar ainda a história então ouvida, e a cada passagem ali recalcada, das Capelas Imperfeitas do supracitado mosteiro e da correspondente estória do seu arquitecto que, desejando provar a solidez da sua construção e a exactidão dos seus cálculos, sob os seus tectos ameaçando queda (a olhos ignaros) ali pernoitara algumas noites. É esta história que agora, neste seu livro, de uma forma quase tão desarmante como o Mosteiro da Batalha surgia aos olhos dos viajantes ao fundo da estrada, portanto de forma surpreendente, David Soares recupera e nos oferece e forma de literatura.

Que literatura? - perguntar-se-á? Não é toda ela uma só? Sem mais e sem delongas: não é; esta sendo! Mas vamos ao odium habitual nestas coisas de recensão crítica, o passar em visita o currículo do autor. Recorra-se para tal, e de forma sumária, ao que nos avança a editora: « David Soares é autor dos romances Batalha, O Evangelho do Enforcado, Lisboa Triunfante e A Conspiração dos Antepassados. (...) Publicou quatro livros de contos, seis álbuns de banda desenhada e um livro de ensaio literário sobre banda desenhada. Publicado em França e em Espanha, foi premiado com dois troféus para Melhor Argumentista Nacional e uma bolsa de criação literária, atribuída pelo Instituto Português do Livro e das Bibliotecas e pelo Ministério da Cultura. (...) A revista literária Os Meus Livros considerou-o «o mais importante autor português de literatura fantástica». Confirmo tudo e retenho esta última tirada que o diz o mais importante autor português de literatura fantástica. A catalogação é óbvia e quanto a mim redutora, irritantemente redutora. Tão-só porque separa, delimita, exclui - sobretudo isto, exclui. Logo é obscena, coloca fora de cena.

Tomemos Gabriela Llansol ou José Luís Peixoto. Tomemos Paulo Miranda ou Lídia Jorge. Tomemos Gonçalo M. Tavares ou João Tordo. O que une estes universos? Uma mesma literatura? Literatura, literatura, somente literatura? E porque não literatura esotérica, psicológica, introspectivante, filosofante, realista, cinematográfica, por aí adiante? Porque não compartimentar também por aqui? A questão é a seguinte, porquê insistir no marginalizar de uma literatura dita «fantástica»? Onde quero chegar: David Soares é um grande autor literário, ponto. Logo, não será «o mais importante autor português de literatura fantástica», antes, sem qualquer duvida, um dos mais importantes autores de literatura portuguesa. E aqui chegado, resta dizer do porquê de tal importância.

Vamos à história, (...)

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publicado por saidaemergencia às 10:00

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