![]()
Acabei de chegar de uma viagem no tempo. Sem recurso a qualquer engenhoca de Wells, mas sim a um livro sublime: Drood de Dan Simmons. Dele já publicámos dois romances (A Canção de Kali e O Clube de Patifes), mas Drood bate tudo. Escrito na primeira pessoa por Wilkie Collins (o famoso escritor de mistério), Drood é uma lenta e cruel dissecação tanto do próprio Wilkie como de Charles Dickens. Começam como amigos, transformam-se em adversários, tornam-se inimigos, terminam assassinos. Ou não foi nada disto? Todo o livro é escrito sobre as névoas opiáceas que mantém Wilkie activo e produtivo. Pelos seus olhos viajamos pela Londres vitoriana, mas também pelos seus sonhos e pesadelos continuamente misturados/confundidos com a realidade. Quando acabei esta viagem sublime, mais do que ler Collins ou Dickens, fiquei deliciosamente confuso e com vontade de ler as suas biografias. É que o que encontrei no século XIX de Drood foi aterrador, e sabendo que Dan Simmons é obcecado pelos detalhes verdadeiros, as biografias destes dois gigantes literários talvez tenham leituras subliminares.
Drood tem 775 páginas, Guillermo del Toro pretende filmá-lo para o ano e a Colecção Bang! terá o prazer de acolher esta obra-prima em 2010 ou 2011.
Luis CR [editor]
