05
Jan 11

Levantei-me cedo para o pequeno almoço, nessa
manhã, no primeiro dia depois de termos aterrado.
Mas Sanders já se encontrava na varanda da sala
de jantar, quando lá cheguei. Estava de pé, sozinho,
junto à sua extremidade, olhando para o exterior,
sobre as montanhas e a neblina.

Aproximei-me por trás dele e balbuciei um cumprimento.
Ele não se deu ao trabalho de responder.
— É lindo, não é? — disse, sem se voltar.
E era.
A poucos metros abaixo da varanda, a neblina rolava,
enviando ondas fantasmagóricas contra as pedras
do castelo de Sanders. Um espesso tapete branco estendia-
se, de horizonte a horizonte, cobrindo tudo. Podíamos
ver o cume do Fantasma Vermelho, a norte; um
punhal dentado de rocha escarlate que se lança contra
o céu. Mas era tudo. As restantes montanhas continuavam
abaixo do nível da neblina.
Mas nós estávamos sobre ela. Sanders tinha construído
o seu hotel no topo da mais alta montanha da
cordilheira. Nós flutuávamos, sozinhos, num rodopiante
oceano branco, num castelo voador por entre um
mar de nuvens.
Castelo Nuvem, realmente. Fora esse o nome que
Sanders dera ao local. Era fácil compreender porquê.
— É sempre assim? — perguntei a Sanders, depois
de ter bebido a paisagem durante algum tempo.
— Sempre que cai a neblina — respondeu, voltando-
se para mim com um sorriso melancólico. Ele era
um homem gordo, de rosto encarnado e jovial. Não
o tipo de (...)

Extraído da revista Bang! nº8





publicado por saidaemergencia às 15:42

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