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Mar 13

É comum dizer-se que os livros nos podem salvar. Muita gente di-lo: este livro salvou-me a vida! Permitam-me discordar. Não foi o livro, o filme, a música ou a peça de teatro – a arte não costuma ser invocada como salva-vidas – mas, sim o próprio autor da afirmação que se salvou a si mesmo. Tal como alguém que nos dá um bom conselho não é o principal responsável pelo sucesso ou fracasso da nossa futura acção, apenas nos mostra o caminho a percorrer, os livros, alguns livros, tão só desempenham essa função – o que já não é pouco.

Outras pessoas e certos animais, bóias, coletes e pára-quedas, podem salvar-nos, mas não os livros. Eles não se atiram à água para impedir que nos afoguemos, entram num prédio em chamas para nos resgatar do fogo ou fazem uma operação cirúrgica para nos salvar de uma doença. Experimente saltar de um avião com Dom Quixote na mão – encontra Cervantes dentro de alguns minutos. Não se pode exigir tanto de um livro. Na verdade, somos nós que os salvamos, que os temos salvado ao longo dos séculos.

Todavia, os livros podem matar-nos. Sim! Ou melhor, os livros podem desencadear um processo no qual funcionam como o catalisador de uma reacção cujo final será a morte do autor ou do leitor. Pelo afogamento, pelo fogo, e, mais recentemente, através de (...)

publicado por saidaemergencia às 16:32

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