13
Nov 09


Porque concordo com o fundamental deste comentário que nos chegou de um leitor, decidi partilhá-lo convosco. Quem ficar com curiosidade em ler o referido artigo, só tem de clicar na capa da Bang nº 5, em cima, e fazer o download gratuito da revista.

 «Gostei bastante do artigo,ou «conversa» que o senhor Soares juntamente com António Macedo e João Seixas elaboraram sobre a temática da Literatura Erudita versus a Literatura Popular na revista Bang nº 5. É um tema recorrente quando se discute literatura, sobretudo por parte dos interlucotores que se manifestam em desagrado com a literatura de «género», uma forma de preconceito que tem por base a ignorância, como muitas vezes dou conta em conversas de café (é engraçado constatar que o mundo podia mudar radicalmente, se as conversas de café tomassem forma, em vez de não passarem disso mesmo, conversas de café...).

 Tenho 25 anos e posso dizer que a grande maioria dos meus amigos lê livros, mas não sabe ler. Este paradoxo deve-se a uma falta de bases e a uma crescente tendência (visto que os novos leitores não escolhem os livros, são escolhidos por eles) em se ler Dan Brown e Nicholas Sparks, entre muitos outros fenómenos atrozes, que são a base de leitura do número crescente de leitores em Portugal. O que é curioso, pois assim aumenta o número de leitores que não sabem ler!

 Estou a divagar e peço desculpa se pareço pretensioso. Só para dizer que gostei bastante de um artigo que toma uma posição que eu defendo: tiro o mesmo prazer da leitura de Jorge Luis Borges como do Stephen King, sinto a mesma inferioridade intelectual e deslumbramento quando leio Umberto Eco ou Poe, acho que o Fernando Pessoa iria adorar travar conhecimento o Lovecraft. O mesmo acontece com o cinema, o «género» fantástico ou de terror continua estigmatizado, falem-me de um grande um autor e falo de pelo menos uma obra de «genéro» na sua filmografia, Mélies, Murnau, Lang, Bergman, Kubrick, Fellini, entre muitos outros. E tentar convencer que o Alan Moore é um dos maiores génios creativos da actualidade é uma verdadeira tour de force, só porque é autor de BD (entre outras coisas...)! E o mesmo se aplica a outras expressões artisticas, só é pena que a vossa tertúlia tenha surgido nas páginas da revista Bang, porque estão a ensinar a missa ao padre, não são o público a que deviam tentar chegar, nós já estamos «convertidos» (risos).
Pergunte ao seu amigo António de Macedo quando volta a fazer um filme, talvez...A Conspiração dos Antepassados ;-)

Cumprimentos
RB»

Luis CR [editor]
PS: quero só dizer que nada tenho contra os autores Dan Brown ou Nicholas Sparks, pelo contrário, adoraria ser editor tanto de um como do outro.


publicado por saidaemergencia às 14:55
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11
Nov 09

Como publicar um livro? É a pergunta que persegue muitos aspirantes a autores, muitos indivíduos que sonham em ter um livro seu publicado numa casa editorial conhecida. Se pretende publicar um livro pela mera ideia fabulástica de ser escritor, então pense duas vezes. O termo escritor já não se aplica hoje em dia a todas as pessoas que têm livros publicados.

Mas se alguém pretende ser levado a sério nesta profissão, a verdade é que é fácil publicar em Portugal hoje em dia, se se souber combinar uma boa dose de inteligência, perspicácia, disciplina e persistência. Inteligência para conhecer o mercado e saber o que ele deseja num momento particular, perspicácia para saber quais os jogadores que interessa contactar, disciplina para escrever uma obra que mereça ser publicada com início, meio e fim, e persistência (na dose certa) para alcançar o objectivo.

Vamos supor que temos um indivíduo, o Sr.Silva, que concluiu uma obra que considera ser merecedora da atenção de editores. O Sr. Silva primeiro tem que ter consciência de que não são as opiniões de amigos que deverão fazê-lo pensar que é bom. Os amigos de aspirantes a escritores não devem ser considerados amigos do Sr. Silva; não são exigentes, têm medo de dizer a verdade para não magoar o amigo por isso preferem deixar o amigo fazer figuras, muitos deles não compreendem o mundo de edição de livros, mas ainda assim encorajam o pobre Sr. Silva. Há que recorrer a pessoas/amigos que saibam do que falam, com experiência de leitura e escrita.

 Mas imaginemos que o Sr. Silva até escreveu um manuscrito catita no qual investiu muito labor e pesquisa. Atenção que não falo de uma obra que tem potencial mas que só precisa de uma revisão, leia-se, precisa de ser toda reescrita. Se o Sr. Silva fosse uma celebridade, bastaria ligar para marcar uma reunião e provavelmente já teria publicação garantida em certas editoras, mas sendo um anónimo, como deve ele proceder para alcançar a tão almejada publicação?

Antes de mais, qualquer aspirante a escritor que se preze deveria conhecer o mercado que temos e acompanhar o trabalho que se tem realizado de ano para ano pelos vários intervenientes no processo. São inúmeras as casas editoriais que existem em Portugal, cada uma com a sua área de publicação específica. E atenção que eu não considero válido o trabalho das vanity presses que publicam à custa do autor. Já falei desse tipo de serviços antes e por esta altura é claro que não tenho uma palavra boa a dizer dessas empresas.

Conhecer o mercado é um aspecto importante. Atrevo-me a dizer tão importante quanto ter uma bagagem considerável de leituras para se poder ser um melhor escritor.

 Graças à Internet e à postura cada vez mais flexível das editoras, é possível ter um melhor vislumbre do modo de funcionamento do mundo de edição português. Há blogues de referência que acompanham regularmente as novidades editoriais, e também aquilo que se passa no mundo dos livros. Assim o Sr. Silva fica a conhecer várias coisas que apenas poderão beneficiá-lo, em particular, quais as editoras que lhe interessam na área que pretende publicar.

 Assim, se a obra do Sr. Silva foi inspirada por Boris Vian, Mallarmé, Zweig, Malraux ou Faulkner, não precisa de recorrer a uma editora que publique apenas literatura romântica. Mas se tiver sido antes inspirada por Tolkien, Gene Wolfe, Jack Vance, Whittemore, Silverberg, Vandermeer então o Sr. Silva sabe que não serão editoras como, por exemplo, a Relógio de Água, Assírio & Alvim ou Cotovia a publicá-lo.

 Agora que o Sr. Silva fez um bom trabalho de pesquisa e elaborou uma listinha de editoras-alvo para a sua obra (se o Sr. Silva tiver 18 anos, aconselha-se a esperar até aos 25 anos de idade), tem que passar ao próximo passo. O que vou escrever em baixo não significa que seja a solução tiro e queda para se ser publicado. Não há fórmulas nem palavras mágicas que permitam abrir as portas da edição. Mas parece-me, a mim, que não é um mau conselho para ser partilhado.

Convenhamos, já ninguém envia manuscritos por correio hoje em dia, a não ser por exigência de regulamentos de prémios literários. Mas quando um escritor se dedica a uma candidatura espontânea, tem que primeiro preparar uma carta (ou e-mail) em que procurará convencer o editor com uma boa argumentação de que o manuscrito que tem em mão tem potencial de publicação. A escrita desta carta diz muitas coisas sobre a pessoa que a escreveu. Diz se a pessoa está desesperada e está praticamente a implorar para ser publicada, diz se a pessoa sabe escrever ou não, em suma, diz se a pessoa deve ou não ser levada a sério.

 Não recomendo ao Sr. Silva que exponha a sua vida desde o infantário nesta carta. Deve limitar-se a escrever sobre a obra em si, e só quando for relevante acrescentar factos de pendor pessoal ou profissional. Não vale a pena puxar galões, não vale a pena mencionar doenças tenebrosas, não vale a pena dizer que foi rejeitado por 500 editoras antes de chegar às presentes mãos. O livro. A carta é sobre o livro, mas depois há a sinopse, que vai à parte.

 A sinopse de um livro é sempre algo extremamente complicado de elaborar. O Sr. Silva não quer deixar de mencionar um ou outro detalhe sumarento interessante e acaba por escrever um texto longo, enfadonho, desinteressante, que mata o seu livro em poucos segundos de leitura. Em manuscritos de fantasia isto então torna-se particularmente grave quando são adicionados nomes inventados em mundos inventados. Kalkahsh de Tyrin, príncipe do reino das Sete Cidades, é declarado inimigo mortal do irmão karaknov e defrontam-se na batalha de Sum Dum nos campos de Cehcitheh... Zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz....... Fim da leitura.

A sinopse deve destacar o cenário, o enredo, o tema, as personagens, mas pouco mais e sempre de forma concisa, tentando trazendo ao de cima o potencial da obra. Não o prejudica nada se pensar: será que um leitor tem interesse em ler esta obra até ao fim?

Quando já tem a carta feita, deve então procurar contactar as editoras da sua listinha e tentar saber o nome do editor/editores e qual a melhor forma de submeter um manuscrito à sua apreciação. Como hoje em dia é tudo feito por e-mail, assim que souber os e-mails do editor ou assistente, envia então a cartinha com a sinopse mais o manuscrito anexado. O Sr. Silva que peça para acusarem a recepção da obra e se não acusarem, telefona a chatear. O mínimo que uma editora deve fazer é acusar a recepção do e-mail.

 E depois vem a espera... A longa e excruciante espera... Não sei qual o tempo em média que se deve esperar. De qualquer modo, a haver interesse, o Sr. Silva será contactado. Se começar a desesperar pela espera, pode sempre telefonar e perguntar em que pé vão as coisas. Mas há coisas que o Sr. Silva não deve fazer de forma nenhuma: chatear a editora com repetidas mensagens, perseguir o assistente ou editor nas redes sociais ou blogue e bombardeá-lo com mensagens, mandar e-mails em que manifesta a sua impaciência e desagrado com a demora de forma veemente (a não ser que tenha boas razões para isso).

 Agora imaginemos que o Sr. Silva foi aprovado para edição pela editora XX. Ah maravilha! O Sr. Silva vai ser escritor! Vai ser rico! Desengane-se, Sr. Silva. Rico não vai ser de maneira nenhuma. Não estamos nos EUA em que o escritor vende um livro a uma editora e pode fazer ainda algum dinheiro jeitoso com essa venda. Até porque em Portugal só em raras excepções publicam-se mais do que 2000 a 3000 exemplares (e falo das grandes editoras). Elabora-se um contrato, recebe um X de pagamento, e depois fica à espera da percentagem que cabe ao autor pelas vendas, se houver boas vendas.

 Quem está nisto pelo dinheiro, vai ficar desiludido. Bastante desiludido. E a não ser que se chamem Miguel Sousa Tavares ou José Rodrigues dos Santos, não dá para viver só da escrita em full-time, sorry!

Agora, imaginemos que o editor pedia ao Sr. Silva para reescrever o final do seu manuscrito porque achou-o demasiado fraco. O Sr. Silva só não tem um enfarte porque vai ser escritor daí a meses e quer estar bem de saúde para ver o seu livro publicado. Reescrever o final?! Nem pensar! Mas quem é que esse editor pensa que é? O manuscrito está perfeito, não precisa de ser reescrito coisíssima nenhuma. Pois é, Sr. Silva, acontece que o editor sabe o que é melhor para si e se ele recomenda a reescrita do final, então é porque o final tem que ser reescrito. E agradeça aos santos não lhe ter pedido para reescrever mais coisas.

 Chegamos à parte da produção do livro. A única coisa que interessa nesta parte ao autor é a revisão do seu manuscrito, um processo que pode e deve acompanhar, mas de forma comedida e sem exigências de prima-donna. A capa será escolhida pelo editor, e não pelo autor, pelo que se não gostar da capa, pode expor os seus argumentos junto ao editor, mas este terá sempre a última palavra.

 Finalizada a produção do livro, passamos à distribuição nacional do livro e a respectiva promoção. É importante frisar que cada editora tem o seu sistema de distribuição, algumas mais fortes do que outras. Quanto mais abrangente for o circuito de distribuição, significa que maior poder de manobra e capacidade financeira detém uma editora.

 E eis que chegamos à fase final, a promoção do livro. Nos tempos que correm o autor tem um papel cada vez mais activo na divulgação do seu livro junto ao público, seja através de redes sociais, blogues, lançamentos (nacionais e regionais), contactos de imprensa, etc. É cada vez mais esperado que o autor faça esse trabalho em colaboração com a editora que fará o seu próprio trabalho de divulgação. Mas a verdade é que quanto melhor o perfil comunicador do autor, mais hipóteses tem de chamar a atenção de forma positiva. Nunca é muito bom para o autor demonstrar em público que afinal não fez bem o trabalho de casa.

Há também muito sururu em torno de cunhas e necessidade de cunhas para conseguir publicar um livro. Acreditem em mim. Se as publicações em Portugal fossem todas à base de cunhas não veríamos tantos livros a serem lançados no mercado diariamente, para além de que seriam sempre os mesmos. Que elas existem, existem, mas atenção que conhecer pessoalmente o editor não significa ser publicado por ele. Significa apenas que tem mais hipóteses em ter o manuscrito lido e avaliado. Um editor afinal está a gerir uma empresa que não pode funcionar em função de amigos dos amigos. Da mesma forma, nunca passaria pela cabeça de um bom editor recusar ver candidaturas espontâneas porque sabe que pode estar a escapar-lhe algo de valioso.

Como devem adivinhar, esta não é uma ciência exacta e está sujeita a muitos factores. Nada é garantido, mas se as vossas expectativas não forem cumpridas, não culpem apenas as editoras. E principalmente não me culpem a mim se nada do que aconselhei resultar.

 

Safaa Dib

Assistente Editorial

publicado por saidaemergencia às 14:33
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09
Nov 09

Não sou americano, não sou negro, não sou do partido democrata. Mas quando, há um ano atrás, vi o discurso de vitória de Barack Obama, vieram-me lágrimas aos olhos (curiosamente a nossa política apenas me dá bocejos e nojo). Talvez tenha sido o efeito pós-Bush: depois de oito anos de alarvidades, ignorância, despotismo, mentiras, corrupção e incompetência, tudo seria bem vindo. Mas um presidente negro, num país onde há 40 anos os negros eram cidadãos de segunda, essa é que eu não estava à espera. A dimensão da vitória de Obama é de arrepiar a pele, o seu simbolismo é quase sagrado e, mais uma vez, a realidade deu baile à ficção.

Como milhões de outras pessoas, também eu, apesar dos avisos, terei caído um pouco na armadilha do Messias. Num ano, Obama restauraria todos os males que a política de Bush trouxe ao mundo (e outros mais antigos). E, pelo meio, também resolveria a crise económica enquanto pendurava o Nobel na parede. Infelizmente Barack é apenas humano como nós. Acredito que muito está a ser feito pela América e pelo mundo. Vamos dar-lhe tempo, pois ele deu-nos o mais importante: esperança.

Luis CR [editor]

publicado por saidaemergencia às 17:20
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06
Nov 09

 Foi com sala cheia no El Corte Ingles que decorreu, ontem, o lançamento do livro de Sónia Louro, O Cônsul Desobediente, obra baseada na vida de Aristides de Sousa Mendes. A autora falou da sua experiência de escrita do romance, passando a palavra depois aos netos do diplomata, António de Sousa Mendes e Álvaro de Sousa Mendes, bem como a José Oulman Carp, Presidente da Comunidade Israelita de Lisboa. 

 

Em baixo reproduzimos fotos do evento e não queremos deixar de agradecer a todos os que estiveram presentes.

 

 

Sessão de lançamento da obra O Cônsul Desobediente

 

Auditório do El Corte Ingles

 

José Oulman Carp, Presidente da Comunidade Israelita de Lisboa

 

Sónia Louro, António de Sousa Mendes e Álvaro de Sousa Mendes

 

Sónia Louro

 

Sónia Louro e o editor Luís Corte Real

publicado por saidaemergencia às 15:57
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A frase não é minha. É um dos cartazes que circula nos protestos dos ativistas. (a qual subscrevo 100%)

Está para chegar a Cimeira de Copenhaga. Mas a um mês de distância já temos muita gente a preparar terreno para dizer um NÃO redondo – ou então um não diplomata e volteado com contornos de moralista – que partirá sobretudo de uma das mais poderosas e poluentes nações de todo o mundo.

É verdade, os Estados Unidos da América já preparam terreno para poder dizer não a um acordo que seja ambicioso ou útil. O enormíssimo Barak Obama (Prémio Nobel da Paz), já se justifica com a reforma que anda a fazer na saúde. (esse é outro tema digno de um artigo)

Ao que parece, esse esforço não permitirá que se concentre nesta pequena demanda que é tentar travar o homem na destruição do planeta que o criou. Há outras prioridades. Ao que parece as sondagens indicam que o tema do ambiente já não está tão na moda nos EUA.

Mas Barak Obama (que não é tão popular nos EUA como se acredita deste lado do Oceano) não é o único. Tem vindo a ficar claro em Barcelona, que não há sequer um plano desenhado para aquilo que são os objetivos dos países industrializados que querem MESMO reduzir as suas emissões.

Desde o protocolo de Quioto, pouca coisa foi feita, e esta falta de vontade dos países ricos só frustra os pobres, fazendo-os acreditar (e a mim) que isto de protocolos é só uma forma de ficar bem na fotografia.

Lançando um olhar sobre estas coisas, conseguimos compreender melhor que o interesse de cada um será sempre superior a um interesse coletivo. Não há uma liderança política e o ambiente é, neste momento, uma batata quente em que ninguém quer pegar. O ambiente interessa a todos mas objetivamente não interessa a ninguém. Na verdade, provavelmente é tarde demais para travar o aquecimento global. E provavelmente, a Cimeira de Copenhaga será mais um encontro recheado de beijinhos, apertos de mão, e perda de tempo.

Provavelmente cada um vai lá para defender o porquê de não fazer nada. E provavelmente, feitas as contas, depois de se voltarem todos a despedir e entrarem nos seus jatos poluentes para regressar a casa (e de apertarem todos as mãos novamente) tudo estará na mesma com a única diferença que estará agendada uma nova cimeira (quem sabe a Cimeira de Lisboa!) onde “aí é que vai ser a sério”.

Talvez daqui a 4 anos.

António VP [editor]

 

publicado por saidaemergencia às 15:05
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05
Nov 09


Que me desculpe a crítica engravatada, mas sempre que elogia um autor português (ou, neste caso, um que escreve em português) fico desconfiado. É que, regra geral, quando vou ler esse autor em busca da apregoada excelência, desilusão, não encontro nada de especial. O defeito até poderá ser meu, mas fica-me sempre a pergunta: serão o crítico e o autor amigalhaços? A crítica será uma amabilidade a alguém? Talvez, este é um mercado pequeno… e estamos em Portugal. Mas isso não aconteceu com Jesusalém, o primeiro livro que li de Mia Couto. Concordo com o melhor que li da crítica.

 A premissa deste livro fez-me lembrar vagamente outro que li quando devia ter uns quinze anos, A Costa dos Mosquitos, de Paul Theroux: um pai, enlouquecido, arrasta a família para a selva pois convence-se que o mundo acabou (o tempo enublou detalhes, mas acho que era qualquer coisa do género). Jesusalém é um livro bonito, tocante e escrito de forma quase poética. Apesar de (infelizmente) não ser apreciador de poesia, sou sensível à prosa poética. E se a maior parte da prosa poética costuma soar-me forçada e vazia, não foi esse o caso com Mia Couto. Adorei o seu português, a simplicidade do seu texto, algumas frases são dignas de se anotarem para as relermos. Mais: apesar de estar na moda escrever livros em que se secundariza a história em detrimento de outras habilidades, Mia Couto tem o mérito de conquistar a crítica sem ir em modas.

 Em suma, e este é o maior elogio, fiquei com vontade de ler mais Mia Couto e de o recomendar aos amigos.

Luis CR [editor]

 

publicado por saidaemergencia às 12:06
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04
Nov 09

Dan Simmons

Acabei de chegar de uma viagem no tempo. Sem recurso a qualquer engenhoca de Wells, mas sim a um livro sublime: Drood de Dan Simmons. Dele já publicámos dois romances (A Canção de Kali e O Clube de Patifes), mas Drood bate tudo. Escrito na primeira pessoa por Wilkie Collins (o famoso escritor de mistério), Drood é uma lenta e cruel dissecação tanto do próprio Wilkie como de Charles Dickens. Começam como amigos, transformam-se em adversários, tornam-se inimigos, terminam assassinos. Ou não foi nada disto? Todo o livro é escrito sobre as névoas opiáceas que mantém Wilkie activo e produtivo. Pelos seus olhos viajamos pela Londres vitoriana, mas também pelos seus sonhos e pesadelos continuamente misturados/confundidos com a realidade. Quando acabei esta viagem sublime, mais do que ler Collins ou Dickens, fiquei deliciosamente confuso e com vontade de ler as suas biografias. É que o que encontrei no século XIX de Drood foi aterrador, e sabendo que Dan Simmons é obcecado pelos detalhes verdadeiros, as biografias destes dois gigantes literários talvez tenham leituras subliminares.

Drood tem 775 páginas, Guillermo del Toro pretende filmá-lo para o ano e a Colecção Bang! terá o prazer de acolher esta obra-prima em 2010 ou 2011.

Luis CR [editor]

 

publicado por saidaemergencia às 18:25
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Nasceu uma chancela com orgulho, qualidade, e traços específicos que a distinguirão sempre da concorrência: falo-vos da Camões & Companhia.

Num momento em que todo o mercado se retrai de correr riscos e se limita a apostar consecutivamente em bestsellers, a Saída de Emergência teve a coragem de criar uma coleção literária – e portanto – contra a corrente. Não pretendo fazer um auto elogio, mas (fazendo-o) gostava de apresentar com muito orgulho uma coleção que não corre atrás do sucesso instantâneo.

A Camões & Companhia quer marcar um lugar pelo seu conteúdo intemporal, e trazer algo diferente aos leitores que se sintam prisioneiros de um mercado muito homogéneo. Obras que são boas hoje e serão boas amanhã. Recordar obras que foram boas há 50 ou 100 anos, e serão boas daqui 50 ou 100 anos. Ultrapassando todas as barreiras e preconceitos de géneros literários, o catálogo será construído com base na qualidade e intemporalidade de ambos: obra e autor.

A Camões & Companhia será isto e muito mais. Não há géneros, não há idade, não há barreiras. Há apenas bons livros para se poder desfrutar de um prazer raro.

A qualidade, beleza e requinte das edições não serão esquecidas. Quem experimentar, verá que a vida destes livros não termina depois de serem lidos. Eles livros vão brilhar em qualquer estante. Posso garantir que será um orgulho ler e guardar livros intemporais.

Resta-me deixar um abraço a todos e desejar-vos boas leituras.

António Vilaça P. [editor]

publicado por saidaemergencia às 16:55
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30
Out 09

 

Terça-feira, dia 27 de Outubro, a editora participou no debate Com Todas as Letras, a convite da revista Meus Livros e a Sociedade Portuguesa de Autores. O tema era a Ficção Científica  e a Literatura Fantástica - o Reinado da Imaginação, um tema caro à Saída de Emergência.

No debate estiveram presentes David Soares, autor da casa, João Seixas, crítico e editor da Livros de Areia, João Morales da Meus Livros, Pedro Reisinho, editor da Gailivro, e Luís Corte Real, editor da Saída de Emergência (alinhamento da esquerda para a direita nas fotos).  

 

 

O convite à SdE justifica-se naturalmente pela colecção Bang!,  uma das colecções mais fortes de literatura fantástica actualmente no mercado português graças a autores tão diversos como George R. R. Martin, Anne Bishop e H. P. Lovecraft, mas também nomes prestigiados como John Crowley, Richard Morgan, Arhtur Machen,  Robin Hobb, Charlaine Harris, Christopher Priest e muitos, muitos mais. Não é segredo nenhum que a SdE é verdadeiramente fã do fantástico e trata os livros como objectos preciosos, produzindo edições cuidadas e graficamente apelativas.

O debate foi animado e houve oportunidade para discutir o panorama nacional de literatura fantástica, não faltando até o anúncio da parte de Pedro Reisinho de que João Barreiros seria publicado pela Gailivro no próximo ano, juntando-se assim a Telmo Marçal.

João Seixas teve oportunidade de revelar números bastante pertinentes relativos ao número de publicações de ficção científica em Portugal, número esse que tem vindo a declinar. Mas será a ficção científica um género economicamente viável face à dominância da fantasia juvenil ou adulta? Se o pessimismo sobre esta questão não podia faltar na leitura da edição da FC em Portugal, também deve ser dito que a produção escrita tem vindo deixar um pouco a desejar.

Não faltou também uma abordagem ao design de capas de ficção científica, um tópico raramente discutido em eventos, e muito foi referida a capa do livro de Telmo Marçal, directamente inspirada na mítica série televisiva A Quinta Dimensão.

Estas e várias outras questões foram discutidas, não faltando uma animada troca de palavras entre a sala modestamente composta e os participantes convidados. Valeu a pena, embora o fantástico não deixe ainda de ser considerado como um género bastardo da literatura. E temos a colecção Bang! e os seus excelentes autores para provar que FC, fantasia, horror, história alternativa são literatura por direito próprio.

Em breve, no final do mês de Novembro, voltaremos a participar em novos debates de fantástico em Lisboa. Mais informações em breve.

publicado por saidaemergencia às 17:29
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23
Out 09

O Grupo Saída de Emergência não tem falta de boas histórias desejosas de ganhar vida através de talentos na ilustração; histórias de cariz infantil, juvenil, realista ou fantástico. Temos colecções em todos esses campos e procuramos por todo o género de ilustradores com os mais variados estilos.

Para submeterem os trabalhos é favor enviarem CV e portfólio (ou link para portfólio online) para aqui.

Ficamos à espera dos vossos trabalhos e da possibilidade de trabalhar convosco.

publicado por saidaemergencia às 15:49
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